A Magia da Criatividade

A Elizabeth Gilbert já me levou pela mão pelas ruas de Roma, já me deu a conhecer as cores expressivas da Índia e edificou em mim um sonho por realizar: ir ao Bali.

 

Ela não consegue estar quieta e desta vez leva-me até ao interior da sua mente, a fim de me dar a conhecer a sua relação com a criatividade. Como isso foi possível? Não… não foi uma conversa frente a frente, foi através do seu livro: A Grande Magia.

A grande magia

Revejo-me novamente em muitas das suas palavras. A criatividade rapta a minha atenção para o imaginário e extrapola na minha mente algo tão corriqueiro como a chuva que cai lá fora. Um dos meios mais usados pela criatividade, em mim, advém das caminhadas e da condução. Nesses momentos a criatividade senta-se muitas vezes no lugar do pendura, ou no meu ombro quando caminho e falamos imenso sobre todos os impulsos externos que conseguimos captar. E é uma sensação maravilhosa.

No fundo, a criatividade é quase um meio pelo qual se explica a algum ser fora deste planeta, que aquela árvore cheia de folhas amarelas não é só uma árvore cheia de folhas amarelas. É a poesia do outuno, é o processo do amadurecimento, é o momento da mudança. É explicar que o único momento que doi, é aquele em que as folhas são violentamente arrancadas pelo vento, para que pouco tempo depois, possa renascer novamente algo belo.

Hoje, ao olhar-me no espelho, as longas e denotadas olheiras também contaram uma longa história. Não, não foram só as insónias dos últimos dias, é todo o brilharete que a minha mente conseguiu engendrar para mim nos últimos 8 meses. As olheiras não são só umas marcas que ficam feias no meio do rosto, têm sido como impressões digitais do que me tem vindo a consumir e de tudo o que tem acrescentado à minha experiência pessoal. Representam o efeito real e duradouro de como é sentir quase todas as folhas levadas pelo vento.

Há dias emocionei-me com um vídeo no youtube. Não tinha bebés, animais ou paisagens de cortar a respiração. Era simplesmente um vídeo de culinária. No fundo, acredito ter sido também uma história de amor. Todos os elementos  que construíam aqueles 5 minutos, envolveram tamanha dedicação, que ficou claro que o autor tinha amor pelo que estava a fazer. E isto, apesar de tudo o que já vivi, ainda me emociona.

Saber que existe quem tem amor pelo que faz, é das coisas que mais me emocionam e mais me fazem ter esperança. E senhores, não será a esperança o grande motor da vida?

Obrigada novamente Elizabeth, não por saber que tenho de poupar umas valentes coroas para chegar ao Bali, mas sim por me dares esperança. Por explicar que a criatividade é um presente do céu, e que vibrar pela mesma é o que torna o mundo tão colorido. Ah, e também por me relembrares que é preciso ter coragem para agarrar a criatividade quando ela nos bate à porta e o sentimento de frustração/dor/blablablá que acontece quando resolvemos não abrir a porta.

Vive e cria mais caminhos. 

Elizette Gomes

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Resiliência

“Quando magoar, observe, a vida pode estar a ensinar-lhe algo.” 

Há frases que nos reencontram exatamente quando precisamos delas, ironicamente acredito nisto e o meu lado mais céptico acredita mais no SAR.

Se estivermos atentos reparamos que há padrões, inclusivamente alguns muito repetitivos na nossa história de vida.
Há outra frase bonita que diz que: “Deus não joga aos dados“, isto quer dizer que nada é ao acaso. As pessoas que se cruzam conosco e especialmente as que fazem parte dos nossos círculos sociais, têm algo que beneficiam a nossa evolução espiritual.
Há poucos dias disseram-me uma das frases mais importantes do momento, exatamente o que me pareceu ser uma das grandes chaves para superar um dos ciclos viciosos de dor; “o medo é o maior inimigo do amor”. 
O medo quando não é encarado de forma assertiva, acarreta um múltiplo de factores, que ironicamente só destroem o próprio que sente o medo. Entre eles destaco alguns: sarcasmo, ataque, falsidade, pânico, baixa auto-estima, raiva, emoções de frequência baixa, que nos puxam cada vez mais para um fosso sem luz, onde a falta de discernimento mental aumenta a larga escala.

O medo existe com a finalidade de garantir a nossa sobrevivência. Nos dias de hoje, o medo continua a existir, mas à conta da nossa evolução ele atua de forma acentuada e contínua contra o stress diário. Não há dúvidas que o mundo está demasiado exigente com cada um de nós. A individualidade está aos poucos a enfraquecer-nos. Nunca estivemos tão perto e no entanto tão distantes. Perante isto, e na minha opinião, o medo deixa de servir ao seu propósito real de sobrevivência e corroi-nos diariamente mais um pouco.

Diariamente procuro respostas para “sobreviver” internamente aos desafios diários. Diariamente tento meditar sobre ser resiliente. Diariamente gosto de acreditar que se cada um de nós quiser muito, conseguiremos não exigir tanto do próximo e sim melhorar o que podemos, no nosso tempo, cada um de nós.

Porque não há outra forma de ter paz se não começarmos por nós mesmos.

Para não ser diferente de todo o post… fica mais uma frase que tem vindo à tona nas últimas semanas: “Orai e vigiai”. Especialmente os pensamentos, eles são a pequena génese, a pequena semente deste poço sem fundo, onde o amor pouco brilha.

 

Montreux, Suiça. Junho 2017

 

Caminhar, lembrar o poder da resiliência… e sobreviver aos desafios diários, acreditanto que tudo possa ajudar na nossa evolução. 

Elizette Gomes

Aos que iluminam o meu caminho

Aos que iluminam o meu caminho um enorme obrigado.

Nos momentos de escuridão percebemos quem nos acolhe, parece cliché, mas é a verdade.

A escuridão não é mais do que os momentos que apagamos a nossa luz, por falta de fé em nós próprios.

Ontem desci novamente à escuridão que habita em mim.
Ao choro compulsivo, à dor que sinto quando simplesmente apago a minha luz.

Não são os outros, sou eu que a apago.

Ontem devolveram-me. E não foi porque me afagaram as costas a dizer que tudo ia correr bem, foi simplesmente porque pegaram na minha mão e desceram comigo delicadamente, ao mais profundo de mim.

Um amigo é realmente aquele ser, que tem consigo uma candeia cada vez que apago a minha luz. À medida que fomos descendo aquele túnel obscuro, o meu amigo acendeu as pequenas velas ao longo do caminho. Em silêncio, comigo de mão dada. Quando chegamos ao final do túnel  eu chorei novamente, compulsivamente. O que me magoa atingiu-me com o mais pleno da sua escuridão. Não havia respostas para não ter a luz, mas a candeia, na mão do meu amigo, estava ali, a iluminar um pouco de mim.

Sou abençoada pelos que estiverem do meu lado sempre que a luz se apagou e pelos que pacientemente me ajudaram a reacender a chama da minha essência.

Aos que perderam um pouco do seu tempo a explorar as minhas dificuldades, aos que questionaram as minhas retóricas quando já não tinha discernimento de as formular, os que me ensinaram a encontrar em mim artes de encontrar equilibrio e aos que pediram para que eu abrisse os meus olhos para ver a luz, ontem de forma literal…

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Caminhar por vezes na escuridão e reacender a chama da essência. 

Elizette Gomes

Ensaio a Preto e Branco

Simplicidade.   Complexidade.   Antagonismo.   Sinergia.

 

Ensaio I – Simplicidade.ensaio 1Preto.  Branco.  Simplicidade.  Desestruturação.  Luz.  Sombra.

 

—– ” —–

Ensaio II – Complexidade. ensaio 2

Preto.  Branco.  Complexidade.  Holístico.  Mais luz.  Mais sombras.

 

Caminhar, encontrar o equílibrio entre as partes e o todo e seguir em frente, na complexidade, de forma simples.

Elizette Gomes

Cal

Durante as leituras ávidas do último mês, surgiu num dos livros a palavra cal. Após as mais de mil páginas que consegui claramente alcançar no último mês, perdi a contagem das palavras que chegaram ao meu cérebro. Todas as palavras são essenciais para situar todas as histórias que os vários autores, tão metódicamente escreveram. Cal lê-se em menos de um segundo, menos tempo que aquele que se utiliza para acender um fósforo. Nesse infimo momento em que li cal, retrocedi 20 anos e revivi os meus avós. Após a leitura da palavra cal mergulhei na sensação milaborante do meu corpo físico continuar a ler continuamente durante três ou quatro páginas e o meu corpo etéreo ter andado lá, à vinte anos atrás.

Os meus avós não viveram o tempo suficiente para que eu tivesse curiosidade de saber como preparavam a cal. Durante o momento que li cal, vi diante dos meus olhos uma vasilha de barro fervilhante, ouvi a minha avô refilar comigo para não me aproximar. Também a minha avô não viveu tempo suficiente para eu entender que ela não estava arreliada ou a refilar, que era o seu tom de voz  a afastar-me do perigo. No mesmo instante que li cal, vi-me com o meu primo a utilizar um pouco de cal, já seca, a desenhar no chão o jogo da macaca, ao longo da casa dos meus avós, naquele pequena fileira de cimento e tijolo onde cabia à conta as rodas do meu carinho de bonecas, onde eu passeava o Bobby e Tucha, cão e gato, ainda bebés.

No momento que li cal, lembro-me da textura da cal que, com o tempo ia descascando e mostrava naturalmente, que em breve, seria tempo de preparar mais uma vasilha de cal e caiar os muros daquela pequena casa. Na pequena casa, onde às seis da tarde, rezavam o terço. Novamente, ouvi os meus avós a rezar, e desci o pequeno degrau de pedra, fechei cuidadosamente a porta de madeira deixando-os em paz na sua fé.

Nota: a meio da escrita deste post surgiu na lista de reprodução automática a música: To build a home, de Cinematic Orchestra.

Continuo a achar que não há acasos, serei só eu?

Caminhar, deixar marcas e evoluir rumo à essência.

Elizette GomesOLYMPUS DIGITAL CAMERA

 

Alinhamento Planetário 13 – a Alma

– Olá Alma! Olá! Onde estás?

O corpo dela move-se. O corpo dela respira. O corpo dela alimenta-se… caminha. E ela está lá dentro, dentro do corpo.

O corpo dela tem os olhos que visualizam o dia, as cores que o verão pinta, o nariz dela aspira as moléculas que contactam com o cérebro dela e lhe dizem que cheira a verão. Porque houve um dia em que, num dia de verão, as mesmas moléculas se combinaram e lhe deram a mesma mensagem.

O corpo dela conduz um carro, e ela lá dentro. Dentro do corpo que está dentro do carro.

O corpo teve que sair, rever as cores verdes das vinhas que cercam a cidade. A cidade em que vive o corpo dela e onde ela vive lá dentro.

– Olá Alma… onde estás? – pergunta ela aprisionada dentro do corpo.

O que acontece à alma por vezes? Ela desconecta de repente sem nada lhe dizer?

Ela caminha. Ela vai ter com quem lhe faz bem. Ainda assim, ela sente um vazio. Ela sente uma falta de paixão pela vida, mesmo quando se rodeia de tudo o que a memória lhe recorda ser paixão.

Ela pega na máquina fotográfica, ela pega na caneta, ela pega no livro, e ela ouve a sua música preferida. E da Alma? Nada.

Na sua cabeça surgem-lhe estas histórias. As história sobre a Alma. Sobre o amor incondicional, e que de alguma maneira a Alma só se ausentou um pouco para servir um bem maior e já volta.

A Alma já volta…

Já volta…

-Alma, por favor volta.

Será que quando te apercebes que a Alma não mora em ti, descobres a insanidade mental? IMG_0356

Obrigada Murphy e Darwin

A caminhada continua.

Quando nos propomos a viver em prole do desenvolvimento pessoal as circunstâncias podem ser um verdadeiro desafio. Sinceramente, pergunto-me se poderia ser de outra forma.

Sempre tive presente uma frase que me marcou bastante: ser inteligente é provirmos o nosso conhecimento com a experiência que outros tiveram. De facto, abraçar esse conhecimento é uma mais valia. Contudo, descobri que a experiência própria é o mestre mais poderoso no que consta à nossa evolução.

Quando o nosso discernimento mental nos permite (no meio da confusão mental que surge das situações) carinhosamente ver as situações de fora , surge a oportunidade mágica de evoluir, e de ser ainda mais inteligente. Quando nos tornamos o nosso próprio mestre e aceitamos toda esta imperfeição associada a nós mesmos, conseguimos efetivamente evoluir.

A vida é uma caminhada interessante, mesmo quando o a vontade é fingir que naquele  canto escuro deixamos de existir (à semelhança de colocar a toalha de praia sobre os nossos bens quando vamos dar a caminhada na praia).  A bem da realidade, isso não existe (nós não deixamos de existir e efetivamente os nossos bens continuam  na praia à disposição de quem bem entender). Nestes momentos, e de forma metafórica, o melhor é procurar no bolso a caixa de fósforos e tentar acender alguma luz para encontrar a direção a seguir. Mesmo que o fósforo não acenda, mesmo que se parta, mesmo que se apague no mesmo instante que acende.  Atenção, entre fósforos, os conhecimentos do sr.Murphy materializam-se, e acontece tudo o que era inimaginável, e pior, em série! A sorte do ser humano é a fé e nessa linha de pensamento um dos fósforos está pacientemente à espera de ser acesso e fará à sua função.

O mais interessante da caminhada é que no meio daquela escuridão dissimulada entre um fósforo que se parte e aquele que nunca se acendeu, quando a luz está finalmente presente, os caminhos estão magnificamente diferentes desda da última vez que o fósforo ficou aceso tempo suficiente. Dá vontade de dizer um valente “ora bolas”. E lá vem o ser humano todo contente com a sua componente de adaptação (obrigada Darwin!). A novidade é que essa caminhada também é sinuosa e lenta (ora bolas de novo!).

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No meio de tudo isto, o cliché surge, mas jamais devemos de perder a nossa essência, seja pelo quê, seja por quem for. Sem querer estaremos a ser também mestres de alguém e mais importante que isso, estaremos a construir mais um pedaço da nossa mestria segundo o nosso passo, e hoje, de forma consciente (final e felizmente ) nada é mais sagrado do que isso.

Caminhar, deixar marcas e evoluir rumo à tua essência.

Elizette Gomes